17.12.08

Santos Dumont


eu apaguei por um segundo, certo? talvez um pouquinho mais.
é que é assim: velocidade e vento. duas coisas maravilhosamente sedutoras. misturados com os efeitos alcoólicos, podem causar uma viagem imensa, com um quê de david lynch e lSD. eu fui.
era irresistível um passeio de moto depois de tantos anos de falta de oportunidade.
a bebedeira foi o suficiente pra não me deixar perceber que o condutor do veículo estava tão wasted quanto eu.
fomos.
muita velocidade; rua escura e deserta. era quase como desaparecer por alguns minutos. me deixei ir; 100, 120 por hora.curva 1, curva 2. curva 3 e de repente foi a hora. meus olhos já estavam fechados, minha cabeça virada para trás, o vento já tinha me levado. não sei muito bem como foi, mas eu apaguei.
acordei como a água gelada na minha cabeça.
- opa! assim não respiro - uma dor aguda no joelho esquerdo e no maxilar. abri os olhas e não podia ver com clareza. mas lembro de escutar o rapaz falando "caralho! eu perdi a curva".
- é, meu caro. deu pra perceber pelo meu estado. - ainda meio confusa.
ele falava várias coisas. algo sobre a mãe dele ficar irritada com o acontecido.
- ora, meu caro. isso é meio óbvio e inevitável.foi mal.
"fica aí que eu vou chamar alguém pra ajudar a subir a moto"
a inércia agiu.
então era isso. na hora eu me toquei.
a gente vôou mesmo. caímos de 3 a 4 metros dentro de um corregozinho nada limpo. [tia lu diria: "esgoto a céu aberto, minha filha!"]
então eu me toquei que talvez não devesse estar aí. escalei mato a dentro até chegar no asfalto e olhando para o lado esquerdo pude ver o local exato que caímos e o quão mal o garoto estava ao perder aquela curva tão descaradamente.
- querido, você não saberia onde anda essa curva nem se ela batesse na sua cara. você não perceberia... sério.
à direita estavam os dois capacetes jogados no chão.
lembro-me que, apesar de toda a confusão mental, eu me perguntei como eles teriam vindo parar ali, uma vez que não me lembro nem de tirá-lo da cabeça. mas talvez eu lembre da cena de uma viseira de capacete, boiando córrego abaixo, logo que acordei.
resumindo; era isso mesmo, pessoal. eu tinha me acidentado, estava perdida no meio de um local completamente desconhecido, com o óculos quebrado, toda molhada de uma água bem duvidosa, sentindo frio e sabendo estar bem machucada, apesar de não sentir nenhuma dor. efeito provocado pela bebida e talvez pelo susto do vôo gélido e úmido.
decidi que não queria mais ficar ali vigiando moto nenhuma, de garoto que eu nem conhecia. eu tinha era que sair dalí, e o fiz. sem culpa.

quem é que precisa de culpa às quatro da matina, no frio e toda molhada com água de esgoto? EU não!


Por: Caróu :: 2:31 PM::



7.10.08


esse, este e aquele.

aí tinha aquele hotel, certo? num sonho. em quase todos os sonhos envolvendo viagens ele aparece. como se fosse universal, como se criasse pernas. as paredes são em tons de bege com detalhes em vinho. tudo muito bukowski: meio decadente/meio melancólico.

sempre com duas camas de casal king size em cada quarto.

não dá pra saber muito bem se é porque seria um hotel de uma estória imaginária com pessoas gigantes e as camas seriam como as de solteiro para nós [seres humanos medianos de metro e setenta]; ou se, numa opção bizarra, o fundo pornográfico e pervertido do meu [in]consciente sugeria uma orgia, dois casais fazendo sexo ao mesmo tempo numa relação meio voyeur ou algo assim. não sei bem.

o caso é que esse mesmo hotel sempre está lá. e não importa muito se o é em são paulo ou no japão. isso me causa uma profunda [e instigante] estranheza. mais do que qualquer fato bizarro que possa acontecer envolvendo alguma pessoa do meu cotidiano. o que me aflige é este maldito hotel. o que será que ele quer me dizer?

Por: Caróu :: 4:56 PM::



29.9.08

um trecho de uma conversa de e-mail durante o trabalho:
"é sim, mas é foda.
tipo, eles fazem de propósito pra não ser um ano de contrato.
o que eu recebi foi uma prorrogação, que termina um dia antes do que começou ano passado. ou seja, não é um ano de propósito. por um dia.
entende?

é meio revoltante. denota o quanto nós estagiários somos descartáveis pra eles.
mas tudo bem. não ligo não. eles também são descartáveis pra mim. então talvez seja até mais honesto assim..."


seria mais fácil se tudo fosse assim...

Por: Caróu :: 4:20 PM::



14.8.08

abre os olhos. levanta. lava o rosto. olha no espelho.
é, aquelas rugas começaram a aparecer.
procura os fios grisalhos. encontra sem muita dificuldade.
parece que foi ontem que saiu da casa dos pais e foi pro mundo.
no início era divertido. tinha amigos, cerveja, música.
queria ser rockstar. e todos não querem?
depois veio faculdade. estágio. trabalho.
reunião. gravata. seriedade.
mulher. filhos. cachorro. casa própria.
trabalho, trabalho, trabalho.
o tempo passou e ele não viu, da janela do escritório.
então hoje é o dia em que seu filho sai de casa.
ele pensou em algo pra dizer, não era dado a discursos, preferia um conselho.
queria uma frase que resumisse tudo.
pensou durante muito tempo e não encontrou.
se vestiu, foi até a sala.
o garoto carregava a última mala para dentro do jipe.
um sorriso contagiante estampado no rosto.
ele só conseguiu dizer: "boa sorte, garoto."
depois, enquanto almoçava sozinho em um restaurante lotado, chegou a conclusão que não dependia dele.


o resto vem depois.



Por: Caróu :: 1:39 PM::



11.8.08

O chato de ser humano é que a gente só consegue acompanhar fisicamente o que acontece em uma vida: a nossa própria. Mesmo assim, com a percepção bem distorcida. Imagine como seria legal poder vivenciar os fatos como naqueles sitcoms que quase todo mundo adora. Sabemos o que cada personagem pensa, diariamente, e podemos criar teorias [mesmo que furadas] dos fatos e de como tudo poderia ser modificado. Pensar em enredos, analisar possibilidades, xingar quando não fazem o que a gente gostaria, essas coisas.

Agora a vida real pode ser realmente entediante, vista por uma só ótica, apesar de poder contar com vários ângulos. Em pé, deitado, flutuando, andando, correndo, caindo... O grande problema é que tudo acontece tão rápido que fica um pouco complicado conseguir ter uma sensação plena do que é a coisa. Hoje alguém me falou algo assim: "Você não desenha a figura de uma pessoa em sua plenitude. Você desenha o que o seu olhar deformado consegue ver."
E é mais ou menos assim mesmo. A gente não sabe como é cair de verdade. A gente sabe da dor, do susto, da sensação de ridículo, da fratura exposta. Mas o ato da queda mesmo, ninguém sabe ao certo como é.

Patético.


Por: Caróu :: 11:21 PM::



15.12.07



I'ts time to get away, i'ts time to get away from you.

mais? aqui.





Por: Caróu :: 3:17 PM::



13.8.06


quando eu era mais novo, achava fascinante aquelas pessoas que eram boêmias, que morriam de tuberculose e tudo mais. até a primeira vez em que eu cuspi sangue e descobri que meu pulmão não passava de uma pasta preta; ainda acho bem interessante aqueles boêmios, de verdade. o que eu não gosto é o fato de que eu tenho a receita exata de como ser algo, mas não possuo o chamado 'glamour'. aquele brilho que dá pra ver pelas fotos, por mais antigas, e até sentir o leve aroma de ironia, aquela pose de foda-se o que vier, depois a gente enfrenta e resolve, agora eu quero mais é um gole de vinho, um trago do fumo comprado no mercado central. ver o nariz jorrar um líquido vermelho sem ter qualquer reação a não ser usar a manga da camisa de frio para limpar, ficar com a mancha por vários dias, como aqueles sujeitos que brigam na rua; às vezes, até brigar na rua. dor com ou sem hematoma. sangue sem propósito. 'é só uma veia estourada', dizem os mais tranquilos. eu acato, já que não sou grande entendedor da medicina. tem a ver com aquela tal adrenalina, né? eu gosto mesmo é do ato de enrolar, do perigo, da emoção; na hora de acender e dar o primeiro trago, eu fico imaginando se chegassem as chamadas autoridades, o tragar e soprar em cima deles, o chute nas partes baixas e correr, muito, pernas pra que te quero, talvez até quase levar um tiro e gritar: 'seu ruim de mira!' e continuar correndo. depois rir muito disso tudo, não sem antes quase botar os bofes pra fora de tanto tossir, afinal, somos todos fumantes nessa turma. mas não sei, ainda estou com o cigarrinho perfeitamente enrolado na mão: 'acende aí, filho. antes que os caras cheguem.'
é, definitivamente meus amigos não acompanham a minha cabeça, alguns poucos, talvez. mas a maioria, não. o que eu acho divertido não faz sentido. as insignificâncias que me irritam, bem, isso seria uma questão grande demais para pensar agora.
- quer uma bola? claro!
é como diria aquele moço poeta: "mais uma dose? é claro que eu tô afim."
o que seria da vida se não fosse a diversão?
e o sangue?
vermelho e espesso?
- ah. usa a camisa, bota a cabeça pra cima, que em cinco minutinhos passa.
é verdade!
dizem que é melhor plantar do que comprar.
eu imagino que sim.

quem é que precisa de grandes planos, se eles acabam se desfazendo em segundos?
mas como eu prometi, não serei um fracassado. alguém um dia terá orgulho de pensar: 'pô, eu conheci aquele cara. ele é bacana.' talvez orgulho não seria a palavra, mas ah. a pessoa poderia pensar que conheceu alguém que em algum momento foi legal.
eu gostaria de dizer que serei escritor um dia. mas acho que minhas idéias só servem, quando muito, para prólogos. então aí está, todos os meus amigos deviam lançar livros. aí eu seria escritor de todos os prólogos.
não planejei o que quero ser, e nem pretendo, mas alguma coisa, ah, isso sim, hei de ser.


Por: Caróu :: 10:41 AM::



18.5.06



dia 1


houve uma vez em que a garotinha sorriu tanto e tão alto, que acabou por se perder em suas gargalhadas. depois de certo tempo, já não era possível ver nem a sombra da pequena. seu amigo, o pequeno jonas, queria desaparecer junto com ela, no meio dos "agá"s e "á"s, mas aquelas eram letrinhas muito habilidosas, se desviavam das insistentes investidas do garoto.
mas jonas não era daqueles que desistia com facilidade, passou a bolar planos mirabolantes para conseguir agarrar o "agá" pelas pernas, uma vez que percebeu que seu tipo físico possuía um fator a menos de agilidade que os "á"s. várias arapucas foram quebradas, desmontadas ou falharam, mas o pequeno seguia tentando, fazendo cálculos.
não podia sequer imaginar a possibilidade de nunca mais ver sua menininha, de nunca ter contado que era apaixonado por ela desde que a vira pela primeira vez. e dizem que nestes tempos é difícil alguém acreditar na veracidade do amor à primeira vista, de tão desacreditados se tornaram os pequenos e grandes sentimentos.

a pequena beatriz, ainda perdida entre as gargalhadas, não poderia sequer imaginar o que passava jonas trancado do lado de fora do sonho. e, no meio disso tudo, acabou encontrando uma outra opção: ela só pensava em um tal ian, sujeitinho esse, que não se sabia procedência, idade, costumes, intenções, só se sabia que o sorriso dela era por ele. e ele, bem, não se sabia se sorria, mas certamente era com ela.


Por: Caróu :: 2:54 PM::



20.4.06




Ciúme: Sentimento que nasce no amor e que é produzido pelo medo que a pessoa amada prefira um outro.

(Roland Barthes - Fragmentos de um Discurso Amoroso)



Por: Caróu :: 8:04 PM::



12.5.05

Terapia ou fuga?


Deite-se de forma confortável. feche os olhos. descruse os braços e pernas. concentre-se. imagine uma escada. você começa a descê-la. degrau por degrau.
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quando eu acabar de contar, você vai chegar à uma praia.
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seus pés tocam a areia.
você pode ouvir o barulho das ondas.
sentir o cheiro do mar.
o que vê?
qual a idade da criança?
que roupa ela está vestindo?
o que ela está fazendo?
onde está a mãe da criança?
por que a mãe está apressada?
há algum tipo de sentimento perturbador quanto ao pai da criança?
seria medo?
ok. rancor.
o que a criança está fazendo agora?
como ela foi parar em cima do empire states?
e nenhum segurança a viu entrar?
mas se ela é tão pequena, como pôde saber o que fazer?
ah. aquele filme do bebê boo? sei.
e o que a criança está fazendo lá em cima?
observando quem ou o que?
pular? mas ela é meio nova pra ser suicida, não?
ah sim. você é suicida desde criancinha... tá.

...

salto temporal para rua montes claros.
ônibus linha 4111.
sono,
muito sono.
radiohead.
the bends.
sono.

"you can force it but it will not come.
you can taste it but it will not form."

apaga.
acorda no mcdonalds da savassi.

"everyone is ... broken.
everyone is
everyone is ... broken.
everything is broken.
why can't you forget?
why can't you forget?"

apaga.
acorda na praça da liberdade.

"my baby's got the bends
we don't have any real friends
i'm lying in a bar with my drip feed on
talking to my girlfriend waiting for something to happen
and i wish it was the sixties
i wish i could be happy
i wish, i wish, i wish that something would happen."

* momento do solinho sensacional! eu até acordo pra ouvir.

"i want to live and breathe
i want to be part of the human race."

apaga.
acorda no palácio das artes.

"drying up in conversaton, you will be the one you cannot talk.
all your insides fall to pieces, you just sit there wishing you could still make love
they're the ones who'll hate you when you think you've got the world all sussed out
they're the ones who'll spit at you. you will be the one screaming out."

apaga.
acorda na praça sete.

"she lives with a broken man
a cracked polystyrene man
who just crumbles and burns.
he used to do surgery
for girls in the eighties
but gravity always wins.
and it wears him out, it wears him out
it wears him out, it wears him out."

apaga!


caróu! carÓU! cARÓU! CARÓU!

que diabo de voz do além é essa?
acorda.
abre os olhos.

caramba! oi!
e aí, carol?
porra. há quanto tempo vocês estão aí?
ah. a gente entrou agora.
ah tá. legal. opa! chegou meu ponto. até mais.
até, dorminhoca.


agora você vai voltar pelas escadas.
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quando eu terminar de contar você vai acordar, abrir o olhos, e se levantar devagar.
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quem é você?


Por: Caróu :: 11:27 AM::



4.11.04

J. era um sujeito calmo.


houve uma época da vida em que ele gostava da sua rotina. trabalhava muito, recebia pouco, pensava menos ainda. apenas fazia aquilo porque era agradável. mas aí então as coisas ficaram estranhas. ele não era dono da empresa, mas cuidava de tudo como se fosse dele. se alguém cometesse algum erro e simplismente ignorasse por pura preguiça, ele consertava o erro. sem nem questionar. só ficava satisfeito quando tudo estava no seu devido lugar. era sempre o último a sair. seu chefe pensava em uma promoção, mas ele não fazia nenhuma questão daquilo. porque gostava do que fazia. e se os planos do chefe se realizassem, melhor. com o passar do tempo, a diretoria resolveu fazer mudanças no quadro de funcionários. o esquema de trabalho mudou e tudo pareceu ficar estranho. não conhecia mais ninguém e não conseguia entender o novo esquema de distribuição de tarefas. como suas funções caíram tanto? sua jornada de trabalho foi reduzida para 4 horas semanais, com ponto de entrada e saída, sem hora extra, para cortar gastos.
J. sentia-se perdido. tinha tanto tempo livre que não conseguia pensar no que fazer com ele. aquele tempo que vivia reclamando. J. estava condicionado a trabalhar. não se adaptou a ficar sem fazer nada. tentou conseguir mais horas, mesmo que trabalhando de graça. mas as regras e a fiscalização eram rigorosas. J. pirou. um dia saiu do trabalho no novo horário. o sol era incômodo aos seus olhos. J. resolveu tentar ocupar sua tarde. passou por um campo de futebol. alguns garotos jogavam baseball, porque estava na moda e todos aprenderam direitinho. J. observou a partida por 5 minutos. estático. coluna reta. quando finalmente saiu da posição em que se encotrava desde que chegou. começou a caminhar pelo campo em direção ao rebatedor. sentia a grama alta sob seu sapato barato comprado em liquidação. J. pediu o taco ao garoto. "deixe-me tentar uma vez."
o garoto cedeu com facilidade. era bastante amigável. J. segurava o taco enquanto repetia pra si mesmo. "concentre-se na bola. concentre-se na bola.". um garoto lança. J. erra. "Strike!" grita o apanhador, logo atrás. J. vira-se e começa a caminhar. "moço. o senhor vai levar o meu taco?" - indagava o rebatedor, ainda simpático. J. vira-se. impassível. levanta a sobrancelha direita. "pois não?". e o garoto "meu taco.". J. olha aquele instrumento em sua mão. pausa. com movimentos precisos levanta o taco e atinge com força. ele cai. sangue esguichando. J. abaixa-se. "seu taco."

Por: Caróu :: 1:06 AM::



10.9.04

e se a gente se mudasse pra são paulo e virasse junkie?
Por: Caróu :: 12:18 AM::



3.9.04



falar sobre semiótica sentada no balcão do meu bar favorito.


Por: Caróu :: 8:20 AM::



10.8.04


Oficina do Pastel (parte 2)



- e pra beber, o que vai ser?
- errr. tem acaí?
- açaí? açaí... não!
- ...
- ...
- faaaanta uva.
- laranja.
- UVA!
- laranja.
- coca.


Por: Caróu :: 7:04 PM::



28.7.04

-> ontem



então hoje eu acordei e achei que devia tirar uma foto 3x4.
só pra variar.
a última vez que eu fiz isso foi há mais de um ano.
já tá na hora de atualizar o *mural da vida.

*mural da vida:
pare pra pensar em todas as fotos 3x4 que as pessoas tiram na vida.
a maioria serve pra documentos, carteira de identidade, de motorista, inscrição de vestibular, passaporte (opa, passaporte é um tamanho maior, certo? eu não tenho. não sei.), ficha escolar, ficha da faculdade, crachá de estagiário, carteira de trabalho, enfim, uma série de entidades burocráticas (ou não) que exigem um registro imagético da pessoa em questão.
existem aquelas que a gente só tem pra dar pros amigos. pras pessoas é meio que um sinal de afeto (!) ter uma foto de um amigo que você gosta muito na carteira, pra matar a saudade ou algo assim.
eu já gosto de tê-las pra que eu nunca me esqueça que existem pessoas especiais o suficiente pra fazer a vida valer a pena. às vezes elas me ajudam a me lembrar quem eu sou.
então... e a linha da vida, né?
é algo engraçado.
pegue todas as fotos que você já tirou pra documentos.
coloque-as em fila e procure lembrar-se daqueles momentos.
como você se vestia?
como era seu corte de cabelo?
como você pensava o mundo?
como você se sentia?
que gosto as coisas tinham?
que cheiro as coisas tinham?

é estranho pensar nesses dois útimos tópicos. mas é algo que eu tenho pensado muito. o gosto, o cheiro das coisas depende muito de como somos. bem, talvez isso não seja uma verdade universal. mas, veja bem: eu não sou ninguém especial. nada além de uma pessoa como outra qualquer. e isso acontece comigo. talvez ocorra com outras pessoas. talvez não. talvez seja mal das geminianas temperamentais nascidas no dia 5 de junho. (Theo, você não conta, amiga! isso é só pras mulheres. hehe)
é engraçado pensar que há um ano as coisas não eram tão saborosas quanto podem ser hoje. porém, ainda assim, comer só o recheio de biscoito recheado era muito mais gostoso há 7 ou 8 anos. estado de espírito. crianças são mais felizes. a inocência mortal das crianças. "pai, como foi que você e a mamãe me fizeram?"

mas voltando ao hoje.
engraçado como as diferenças são grandes entre a Carol (normau) de hoje, dia vinte e sete de julho de dois mil e quatro e a Carol (crow) de vinte de junho de dois mil e três.
e eu não digo isso apenas no aspécto físico. ele é o menos importante nessa comparação.
engraçado que tudo isso eu pude concluir apenas com a tal filinha de retratos 3x4.
o mais engraçado é que tudo isso está na nossa cara todo o tempo.
não tem nada de mais.
nada de novo.
de novo? ironia.


Por: Caróu :: 9:06 PM::


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